Recomendações da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo para o tratamento da Degeneração de Mácula
Recomendações da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV) sobre o tratamento intraocular quimioterápico com anti- angiogênicos para degeneração macular relacionada a idade (DMRI) do tipo úmida ou exsudativa.
No Brasil, a degeneração macular relacionada a idade (DMRI) atinge cerca de 10% da população acima de 65 anos de idade. A maioria destes pacientes (90%) apresenta DMRI do tipo seca ou atrófica. Esta forma da doença não tem indicação para o tratamento com anti-angiogenicos. Por outro lado, 10% dos pacientes com DMRI desenvolvem a forma úmida ou exsudativa, com a presença de membrana neovascular sub-retiniana que causa perda abrupta e severa da visão. Nestes casos, a terapia com anti-angiogênicos tem se consolidado como o padrão-ouro para o adequado tratamento desta doença.
Ensaios clínicos multicêntricos e controlados demonstraram que a terapia intra- vítrea com aplicação de anti-angiogênicos é um método eficaz e seguro, conseguindo melhorar a visão em 34% dos casos e a estabilização da mesma em 90% dos pacientes tratados, enquanto os olhos não tratados, geralmente, evoluem para perda irreversível da visão central.
No sentido de oferecer diretrizes para que esse tratamento possa ser realizado com eficácia e segurança, a Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV) criou o guia de boas práticas para o tratamento dessa doença. Essas recomendações foram discutidas e formalizadas com base em dados científicos da literatura médica nacional e internacional, e com base na experiência dos membros da SBRV.
Diretrizes para o tratamento da DMRI úmida ou exsudativa com a infusão de drogas anti-angiogênicas (dez/2011)
- Somente a forma úmida ou exsudativa da DMRI, em atividade, tem indicação para receber infusão de anti-angiogênicos na cavidade vítrea. As formas secas ou atróficas e as formas cicatrizadas ou fibróticas não tem indicação para o tratamento.
- No Brasil, até o momento somente o ranibizumabe (Lucentis R) e o pegaptanib (Macugen®) obtiveram a aprovação da ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária) para o tratamento da DMRI úmida.
- Por serem medicamentos sujeitos à degradação e perda de efetividade, as drogas anti-angiogênicas devem ser mantidas corretamente acondicionadas sob refrigeração, observando-se atentamente o prazo de validade. É imprescindível que o oftalmologista que vai aplicar a droga tenha total segurança quanto à origem e condições de transporte e armazenamento do produto, bem como, conhecimento e treinamento específico no diagnóstico e tratamento das doenças de retina e vítreo.
- Devido aos riscos de contaminação, não é aconselhável o fracionamento. A agencia de vigilância sanitária americana (FDA) e a Associação dos Especialistas em Retina da América (ASRS) emitiram pareceres de alerta quanto aos riscos de infecção intra-ocular em casos tratados com medicações fracionadas e sem acondicionamento adequado.
- Por ser de uso intra-ocular, é necessário que a infusão do medicamento seja realizada em ambiente com controle de assepsia. No Brasil pelas normas da autoridade sanitária federal esta condição ambiental só existe em centros cirúrgicos devidamente licenciados pela vigilância sanitária local.
- A anestesia para o procedimento deve ser, em geral, local. Quando indicado, a critério médico, pode ser necessária a sedação do paciente com a colaboração de um anestesista. Ainda, como a maioria dos pacientes que recebem esse tipo de tratamento são idosos, é aconselhável a presença de um anestesista no ambiente.
- É importante o controle da pressão intra-ocular logo após o procedimento. No caso de paracentese da câmara anterior para diminuição da pressão ocular, pode ser necessária a colaboração de um médico assistente.
- A avaliação pós-operatória do paciente é fundamental para a detecção precoce de complicações, bem como, para acompanhar a evolução do paciente durante o período de tratamento. Exames complementares periódicos como angiografia fluoresceínica, indocianina verde e, sobretudo, tomografia de coerência óptica (OCT) são necessários para a correta avaliação da indicação terapêutica e acompanhamento dos casos.
- Em geral, são necessárias várias aplicações de anti-angiogenicos para se conseguir estabilização ou melhora da visão.
- Por ser um tratamento em constante aprimoramento, a SBRV emitirá, quando necessário, novo GUIA a seus associados, incluindo as atualizações técnico-científicas pertinentes.

